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MOVIMENTO COMBATIVO

quinta-feira, 26 de março de 2020

AMARESIA DA CRISE OU SERA MAROLINHA...

Capitalismo e gestão de riscos

Um dos problemas do capitalismo e dos capitalistas é a gestão dos riscos bancários. Para enfrentar a encrenca, desde o início da década de 70 do século passado foi constituído o Comitê de Regulamentação Bancária e Práticas de Supervisão.
Sediado no Banco de Compensações Internacionais – BIS – em Basileia, na Suiça, esse órgão também é conhecido como Comitê de Basileia. Ele é composto por representantes dos Bancos Centrais e de autoridades econômicas dos países mais ricos.
O Comitê de Basileia pretende melhorar a qualidade da supervisão bancária e fortalecer a segurança do sistema bancário internacional, principalmente depois do fim do sistema monetário internacional baseado em taxas de câmbio fixas (1973).
O Comitê em tela aprovou o Acordo de Basileia em julho de 1988. Esse acordo definiu mecanismos para medir risco de crédito e exigência de capital mínimo pelos reguladores nacionais, construindo três conceitos:
1) Capital regulatório – capital próprio para cobrir riscos;
2) Fatores de Ponderação de Risco de Ativos;
3) Índice Mínimo de Capital para Cobertura de Risco de Crédito (Índice de Basileia), que deve ser igual ou superior a 8%. (Observação: segundo o presidente do Banco Central do Brasil, os bancos brasileiros adotam índices maiores, mais ou menos 14%, uma das razões, segundo ele, para que a banca tupiniquim não quebrasse).
Em 1996 houve exigências adicionais – mais controle de riscos e mais requisitos para definir capital mínimo ou regulatório. Em 2004, houve o Novo Acordo de Capital (Basileia II), com o intuito de a) promover a estabilidade financeira e fortalecer a estrutura de capital das instituições, b) favorecer melhores práticas degestão de riscos e c) estimular maior transparência e disciplina de mercado.
Para isso, definiu-se quatros componentes de risco:
1) PD ( Probability of Default) ou FEI – Frequência Esperada de Inadimplência;
2) LGD (Loss Given Default) ou PDE – Perda Dada a Inadimplência – dívida de cliente não recuperável;
c) EAD (Exposure at Default) Exposição no Momento de Inadimplência – tendência do cliente aumentar o endividamento por não conseguir honrar compromissos;
4) EM (Effective Maturity) Maturidade Efetiva – prazo até o vencimento dao peração.
Isso tudo é muito bonito, mas na hora do pega pra capar a crise atingiu o coração do capitalismo, bancos, seguradoras e empresas gigantes quebraram. Agora mesmo, no G-20, se discute colchões amortecedores para enfrentar as crises.
É a tal da fórmula contracíclica. Quando a economia está bombando, ampliam-se as reservas. Quando a crise vier, usa-se esses recursos para estimular a economia com créditos e outros incentivos fiscais. Eles pensam que, assim, eternizarão o capitalismo

MAARDE ROSAS QUERENDO OU NÃO...

As palavras racistas de Trump incitam o ódio e alimentam a xenofobia global


 



26/03/2020 19:20

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz uma declaração para a imprensa após uma reunião com representantes do setor de enfermagem na Sala Roosevelt da Casa Branca sobre a pandemia do COVID-19 na quarta-feira em Washington, DC (AFP)
Créditos da foto: O presidente dos EUA, Donald Trump, faz uma declaração para a imprensa após uma reunião com representantes do setor de enfermagem na Sala Roosevelt da Casa Branca sobre a pandemia do COVID-19 na quarta-feira em Washington, DC (AFP)
 
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump se referiu ao novo coronavírus como “vírus chinês” ao menos oito vezes em tuítes e notas da imprensa em um período de apenas dois dias, alimentando a disseminação da xenofobia, do sentimento racista, dos ataques verbais e físicos contra nipo-americanos e ainda subestimando esforços globais para conter esse vírus mortal.

O comentário de Trump, que é completamente contra a ciência e os fatos, também poderia promover ainda mais os já crescentes populismo e racismo ao redor do mundo em meio a uma pandemia global que poderia mergulhar países que foram atingidos severamente pela doença em discórdia e em um abismo profundo, alertaram analistas.

Depois de tuitar diversas vezes “vírus chinês” para voltar a culpa para a China, Trump insistiu em chamar de “vírus chinês” porque “vem da China”, em resposta a uma pergunta de uma jornalista estadunidense. Muitos nipo-americanos ficaram frustrados com o rótulo “vírus chinês” ou “kung flu”, que poderiam transformá-los em alvos do ódio e da retaliação enquanto a pandemia se desenvolve rapidamente no país.

Trump começou a usar o termo “vírus chinês” no meio de março em seis de seus tuítes, mesmo com o vice-presidente Mike Pence, chefe da força tarefa contra o coronavírus no país, ainda chamando de “coronavírus”. Trump salientou que era um vírus chinês duas vezes em suas observações iniciais em uma reunião na Casa Branca. A Casa Branca até o apoiou tuitando que a “gripe espanhola, zika, ebola e o vírus do Nilo ocidental têm nomes de lugares”.

Além de Trump, outros representantes dos EUA, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo, legisladores Republicanos Tom Cotton, Paul Gosar e o líder da minoria Kevin McCarthy têm usado termos como o “novo vírus” e “vírus chinês” em público, estigmatizando intencionalmente a China e Wuhan.

Minimizando sua retórica racista, Trump argumentou que queria ser correto pois acreditava que o vírus vem da China, ignorando totalmente o impacto na comunidade asiática, de acordo com analistas, residentes locais e alguns influenciadores.

Ofensivo e Imoral

Trump chamou o coronavírus de “vírus chinês” três vezes em uma hora, de acordo com relatórios da imprensa, o que enfureceu seriamente não somente o povo chinês mas também muitos nipo-americanos. Tendo em vista o crescimento dos crimes contra comunidades chinesas e asiáticas, alguns pressionaram Trump a se demitir ao passo que tal apologia racista é tão direta e perigosa que poderia dividir o mundo.

Alguns até compartilharam suas histórias pessoais nas redes sobre insultos ou ataques que sofreram por causa da sua cor de pele, nacionalidade ou grupo étnico desde que o surto começou, e alguns disseram que não se sentem seguros e se sentem severamente ofendidos, porque termos racistas encorajam a xenofobia e a discriminação, que podem durar muito mais do que a própria pandemia.

Jordan Matsudaira, professor de Nova Iorque de aparência asiática, disse em um tuíte que “suas crianças estão sendo chamadas de ‘coronavírus’ na escola, e isso é racista, cruel e intencional”.

E Cenk Uygur, apresentador de um programa de notícias de Los Angeles, disse que sua esposa é de Taiwan e os colegas de sala de seus filhos já os estão culpando “pelo vírus” e alguns perguntam se eles comem morcegos, por causa de “racistas como o senador John Cornyn e Trump”.

Uma chinesa residente de Nova Iorque, que prefere o anonimato, compartilhou uma anedota com o Global Times de quando ela estava parada no trânsito e um estadunidense originalmente do México cuspiu em sua janela e gritou “maldito vírus chinês”, o que a “fez se sentir muito mal”, ela disse.

O Laboratório de Pesquisa Digital Forense do Conselho do Atlântico (DFRLab) disse em um artigo recente que continuar a chamar o COVID-19 de vírus chinês pode ser usado para depreciar um grupo e implicar culpa ao povo chinês, mesmo com os esforços da OMS para conter a estigmatização que divide a retórica do COVID-19.

A OMS criou em 2015 diretrizes para nomear doenças, alegando que localizações geográficas, nomes próprios, espécies de animais ou comida, cultura, população, indústria ou referências ocupacionais devem ser evitados ao nomear doenças, depois de a organização observar que certos nomes de doenças provocavam uma reação negativa contra membros de comunidades étnicas ou de religiões específicas, de acordo com o próprio site.

Alguns cientistas estadunidenses e experts médicos também demonstraram apoio à escolha da OMS pelo nome COVID-19, enfatizando que não deveria incitar nenhum debate político.

Algumas figuras proeminentes de círculos científicos chineses se uniram para combater o rótulo “vírus chinês”. Rao Yi, presidente da Universidade Capital Medical em Pequim, disse em um artigo no WeChat que de acordo com a lógica do governo dos EUA, o primeiro caso de AIDS foi reportado nos EUA em 5 de junho de 1981, então a AIDS deveria ser chamada de doença venérea estadunidense e o HIV de “vírus venéreo estadunidense”?

E o fungo que leva à sífilis, que é considerado como tendo originado na América do Norte e então transmitido para a Europa pelos espanhóis, deveria ser chamado de “fungo da América do Norte?” ele perguntou.

 “Aqueles representantes que chamaram de ‘vírus chinês’ estão entre aqueles que têm os mais baixos padrões morais”, disse Lü Xiang, pesquisador de estudos estadunidenses na Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim.

Observem o que o secretário de Comércio dos EUA Wilbur Ross disse em janeiro sobre o vírus mortal: que iria ajudar a acelerar o retorno dos empregos aos EUA. Essa alegação refletiu sua verdadeira intenção e desejos profundos de que o vírus somente se espalhasse na China, algo que eles poderiam tirar vantagem, disse Lü.

No entanto, analistas alertaram que o ódio crescente em relação a certos grupos étnicos, enredado no crescimento do populismo de direita em meio ao surto, poderia acelerar as divisões e confrontos ao redor do globo, o que também seria perigoso e prejudicial causando animosidade racial e mortes por desespero em meio ao surto.

Transferir a culpa

Eduardo Bolsonaro, legislador brasileiro, disse em um tuíte que o que está acontecendo agora é a série de TV da HBO “Chernobyl”, culpando a China pelo surto do coronavírus, refletindo os esforços incansáveis de alguns países de transferir a culpa para Pequim e se esconder atrás de sua própria incompetência em conter a disseminação do vírus pelas comunidades locais, disseram analistas.

Foi revelado que um estúdio de educação dinamarquês publicou uma música ofensiva para introduzir o novo coronavírus às crianças que continha letras como, “sou um novo vírus, venho da China”, o que desencadeou repúdio nas redes sociais chinesas. O incidente aconteceu cerca de dois meses depois que um grande jornal dinamarquês publicou um cartoon com as cinco estrelas da bandeira nacional chinesa substituídas por cinco imagens do coronavírus.

“É inevitável que o populismo prevaleça no futuro, e se tornou uma prática comum que grupos específicos sejam alvos de hostilidade e ódio, o que pode ter consequências severas”, disse Zhang Yiwu, professor de cultura na Universidade Peking.

Ainda assim, alguns políticos estadunidenses, incluindo Democratas como Joe Biden, criticaram publicamente tal retórica inflamatória do coronavírus, e Biden foi citado dizendo que “rotular o COVID-19 como um vírus estrangeiro não afasta a responsabilidade dos equívocos que a administração Trump vem realizando”.

“Essa também é uma tática que esses políticos usam para redirecionar a atenção pública ao deslocar as suspeitas sobre sua incompetência para o ódio em relação a China, mas não vai funcionar, e o colapso em Wall Street prova isso”, disse Lü.

*Publicado originalmente em 'Global Times' | Tradução de Isabela

sexta-feira, 20 de março de 2020

REVOLUÇÃO DOS BICHOS...

domingo, 28 de abril de 2019


A Revolução dos Bichos George Orwell Dublado 1999

Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.
Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens.


Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante