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MOVIMENTO COMBATIVO

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Novo clipe do Eduardo mostra a dificuldade que as crianças negras tem de ser adotadas #DepósitoDosRejeitados

No Fim do ano passado o rapper paulistano Eduardo lançou o álbum "A fantástica fabrica de cadáver", um álbum duplo de alto teor lirico, com letras pulsantes,vivas me falta adjetivos para descrever este álbum.
Mas voltando, o Eduardo em parceria com o diretor Vrazz 77 firmou uma parceria de 2 clipes, o primeiro foi o "Substancia Venenosa" e o segundo lançado hoje foi o "Deposito dos Rejeitados".
Este segundo vídeo aborda uma questão forte,pois pra quem não sabe o índice de crianças negras que não são adotadas são enormes, a maioria dos pais que vão adotar crianças escolher as crianças recém nascidas e brancas,como as crianças negras recém nascidas, quase não são adotadas, quando elas crescem um pouco mais a chance de ser adotadas são menores ainda.
Vamos ao clipe!

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

marxismo...politicismo!!@@

Marx, a política e o “politicismo”'




Karl Marx e Friedrich Engels na redação da Nova Gazeta Renana. (Evgenij Natanovic Sapiro, 1961, óleo sobre tela, Museu Marx-Engels, Moscou)
Karl Marx e Friedrich Engels na redação da Nova Gazeta Renana. (Evgenij Natanovic Sapiro, 1961, óleo sobre tela, Museu Marx-Engels, Moscou)

Por Francisco Xarão*

Em junho passado celebramos 167 anos da publicação do primeiro exemplar do Jornal Nova Gazeta Renana – órgão da democracia, fundado por Marx e Engels, para o combate no front ideológico, na revolução alemã de 1848. Neste diário, no período de 1/6/1848 a 19/5/1849, Marx travou um duro combate contra o politicismo. Observar, em retrospectiva, esta crítica, pode sugerir alguma lição a ser aprendida pela esquerda no Brasil do século XXI.
O contexto da fundação do jornal e da crítica ao politicismo é, grosso modo, o seguinte: reconhecendo as debilidades organizativas da Liga dos Comunistas e o incipiente desenvolvimento tanto do proletariado quanto da burguesia alemã, Marx e Engels, sob crítica de outros membros da Liga, se posicionam taticamente na ala esquerda do partido democrata, ao invés de insistir na organização do partido comunista. Por isso, o subtítulo do jornal: órgão da democracia. Engels, em 1884, ao avaliar a intervenção de ambos no processo revolucionário, justificará essa opção argumentando que os comunistas em 1848 só poderiam ter como bandeira revolucionária, na Alemanha, a democracia. A constituição de uma república democrática era o requisito fundamental para que os operários alemães conquistassem direitos elementares que lhes possibilitassem uma organização independente. Além disso, enfatiza Engels, a participação na ala mais progressista do movimento oferecia as melhores condições para que seu órgão da democracia pudesse falar para uma audiência bem mais ampla, ao invés de propagandear o comunismo em qualquer jornalzinho local ou fundar uma pequena seita.
Após os levantes de março que derrubaram o rei, a burguesia, que não promoveu os levantes, mas fora obrigada a participar, assume a testa do movimento e propõe uma nova constituição. A Assembleia Nacional Constituinte Alemã reúne-se, em maio, na Igreja de São Paulo, em Frankfurt. Sua convocação previa um pacto entre a coroa e os eleitos indiretamente – a maioria burgueses e burocratas prussianos. Por isso, Marx a designa, ironicamente, de Assembleia Pactista. Nessa alcunha ele condena tanto o palavrório leviano quanto a ação irrefletida, inclusive do seu partido, o da democracia. Este, ao longo do processo revolucionário, oscilou entre a acomodação das palavras elogiosas, na vitória, e o abandono dos princípios, na derrota. Tudo porque seus aliados burgueses argumentavam estar ao lado do princípio democrático, mas lamentavam que a Alemanha não estava madura para uma república democrática e que a melhor alternativa seria a monarquia constitucional. Desse modo, ao invés de pôr em prática o que seria possível fazer para realizar o princípio democrático, a maioria dos deputados gastava o período das reuniões do parlamento com explanações longas e cansativas sobre o ideal de uma Alemanha unida, a liberdade de imprensa e uma nova constituição liberal. Enquanto isso, os opositores da revolução, que conheciam bem as relações “Reais” do poder, ganhavam tempo para mobilizar suas forças. Esse trocadilho de Marx entre a real situação e a situação do Rei, tornou-se profético, pois Frederico Guilherme IV, que fora destronado em março de 1848, retorna em março de 1849, eleito pela Assembleia Nacional Constituinte, como Imperador da Alemanha.
O campo revolucionário, por não ter ainda erguido sob seus pés o poder da classe que ascendeu ao Estado, é necessariamente arbitrário, o que não significa sem limites ou sem princípios. A cadeia dos acontecimentos seguirá sempre o caminho que fez aquela classe chegar até onde chegou, ou seja, se foi em nome da democracia que o povo rebentou as antigas relações instituídas na constituição e iniciou a construção de uma nova, então ela precisa se materializar pela imposição da maioria.
A classe vitoriosa em março – proletários, camponeses, pequena burguesia e a maior parte da burguesia industrial – que queriam uma república democrática, deveriam governar. Seu primeiro ato teria de ser decretar o fim do governo anterior. Como não o fez, como não seguiu o curso natural do desenlace da luta política da qual fora vencedora, o partido democrático soçobrou. Seu pavor da reação lhe impediu de opor-se às usurpações reacionárias do governo caduco. Obteve com isso seu aniquilamento como força política. Por medo do exército absolutista deixou de conquistar um poder no povo contra o qual se despedaçariam todas as baionetas e fuzis. O decisivo, portanto, na resolução do impasse da crise, na opinião de Marx, não é o número de armas que um ou outro lado conseguirá mobilizar, mas a opinião do povo sobre contra quem elas devem ser utilizadas. Consequentemente, ao não viabilizar os meios para tornar seu princípio força material – por exemplo, abolindo todas as obrigações feudais, constituindo um novo exército popular e instituindo o sufrágio universal –, a Assembleia Nacional Constituinte permitiu que as razões que levaram à revolução se tornassem derrotas. Permitiu que a luta por uma Alemanha unida sob uma república fosse retirada do terreno social e levada para a arena política, onde o poder econômico exerce seu controle com mais eficiência. Era desta situação, insiste Marx, que o partido democrático precisava tomar consciência.
No entanto, o partido da democracia, salvo a ala mais radical representada na Nova Gazeta Renana, continuou a luta parlamentar acreditando na força das suas ideias, clamando ao povo que se unisse aos seus princípios redentores. Procedia assim porque atuava no limite do Estado, do poder político. Tinha uma fé inabalável na política. Acreditava que as questões sociais eram o resultado da falta de acordo entre os que governam. Supunha que as diversas lutas no interior do parlamento eram apenas o confronto de ideias. Do lado oposto, a Nova Gazeta Renana, ao negar-se a ser “uma folha parlamentar”, negava-se a pensar nos limites da política, porque sabia que todas as lutas políticas são somente as formas aparenciais dos conflitos sociais. Ressoa aqui a convicção mais profunda de Marx sobre a natureza da política – a arena na qual simulam-se as lutas sociais, o teatro onde se encenam acordos entre interesses inconciliáveis para mascarar a dominação de classe.
Contudo, ainda que Marx reconheça que a política não é outra coisa senão o poder instituído da classe dominante para legislar em causa própria, ele não recomenda que os trabalhadores abdiquem dela, porque todas as armas que eles precisam para lutar contra a opressão de classe são forjadas na própria sociedade burguesa. Infelizmente, escreve Marx em vários artigos da Nova Gazeta Renana, as condições dessa luta, para tristeza de certos “revolucionários”, não são adaptadas para suas fantasias idealistas como liberdade, igualdade, fraternidade, republicanismo, tolerância e outras desse tipo. Não são os princípios, por si mesmos, que determinam a forma de luta a ser trilhada, mas as condições e os interesses materiais da classe. É por isso que os trabalhadores precisam atuar politicamente, mas com o olhar social. Qualquer reivindicação social, por mais particular que seja, é sempre mais universal do que a proposição política mais geral. É assim porque a questão social toca, sempre, no cerne do sistema: a propriedade privada dos meios de produção. No entanto, na Alemanha de 1848, a luta pela reforma do sistema político, embora mais restrita que a luta pela reforma agrária, por exemplo, assumiu um papel central, na medida em que sua conquista significava a derrota do antigo regime e a preparação do terreno para o combate entre burgueses e proletários.
Em síntese, a superação do politicismo – essa crença exagerada e sem fundamento do que pode a política – se viabiliza pela atuação na política para além da política. Nos termos de Marx, isso significa que em cada momento específico e sob as condições reais das relações sociais da luta de classes, os trabalhadores precisam dar os passos possíveis que conduzam ao aumento do seu poder material e à diminuição do poder da burguesia. E se isso não for possível, lutar, ao menos, para não perder o que já conquistou.
* Francisco Xarão é professor de Filosofia da UNIFAL-MG
Referências:
MARX, K.; ENGELS, F. [1848-49] Nova Gazeta Renana. São Paulo: Educ, 2010.
ENGELS, Friedrich. [1884] Marx e a Nova Gazeta Renana. In: MARX, K.; ENGELS, F. Obras escolhidas. 2. ed. Rio de Janeiro: Vitória, 1963. v. III

domingo, 12 de julho de 2015

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AO NOVO...&*

domingo, 12 de julho de 2015


Não ao novo memorando "de esquerda"

por KKE [Partido Comunista da Grécia]


O governo do SYRIZA "de esquerda" e do ANEL nacionalista, com o apoio da direita ND, do social-democrata PASOK (que governaram juntos até Janeiro de 2015) e o partido do centro POTAMI, está a lançar novos fardos insuportáveis sobre a classe trabalhadora e outros estratos populares.

Na noite de 10 de Julho ele colocou diante do plenário do parlamento a questão de "autorizar" o governo a negociar um novo 3º memorando de medidas anti-povo, apresentando o seguinte dilema: a continuação da linha política anti-povo ou a bancarrota do país e uma saída da eurozona.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras defendeu o seu memorando, o memorando Tsipras, argumentando no essencial que as medidas anti-povo estão a ser adoptadas a fim de recuperar a confiança dos investidores e dos mercados.

Às 5 horas da manhã, 251 deputados votaram pela proposta do governo, ao passo que todo o Grupo Parlamentar do KKE votou contra ela. Ao todo houve 32 votos contra, 8 que votaram "abstenção" e 9 que estiveram ausentes.

Estes desenvolvimentos, os quais revelam mais uma vez a verdadeira cara do governo da "esquerda patriótica" do SYRIZA-ANEL, também desmascaram a posição inaceitável de várias forças no exterior nestes últimos meses, as quais apoiaram o governo, incluindo alguns partidos comunistas e operários, alegadamente em nome da "solidariedade com a Grécia".

Ao falar no plenário do Parlamento, durante a discussão respeitante à concessão de "autorização" ao governo para acordar o novo 3º memorando, o secretário-geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, dirigindo-se ao governo, enfatizou: "Vocês foram sempre apoiantes da amoralidade política, do oportunismo, os quais literalmente e na sua dimensão teórica mais profunda significa simplesmente serem oportunistas e aventureiros.

Apenas há 10 dias atrás, neste mesmo recinto, durante a discussão da proposta para o referendo, o KKE apontou-lhes claramente que estavam a pedir ao povo para tomar parte num referendo com um "sim" ou "não" que tinham apenas diferenças superficiais, pois tanto o "sim" como o "não" significavam a aceitação de um novo memorando, talvez ainda pior do que aqueles que já vimos.

Vocês ajustaram o "não" do povo a um "sim" ao novo memorando.

Algo que foi confirmado no próprio dia seguinte do referendo, quando os resto dos partidos políticos, aqueles que apoiaram um "sim" e aqueles que apoiaram um "não" concordaram com um novo memorando do qual será ainda mais duro.

Desde o princípio estávamos certos de que isto aconteceria.

Não porque sejamos profetas, mas porque a vossa estratégia, o vosso programa, a vossa posição em relação à UE, à eurozona e às uniões capitalistas em geral, a vossa posição quanto ao caminho de desenvolvimento e ao sistema que querem servir, inevitavelmente leva-os a lutar ao lado da UE, do BCE, do FMI, do grande capital, dos grupos monopolistas, sobre como a divisão dos despojos será efectuada, sobre atenderão à sua lucratividade, sobre como finalmente reduzirão o rendimento do povo, sobre como reduzirão economicamente o preço da força de trabalho, sobre como sugarão o povo de modo a que os parasitas do sistema prosperem".

Quanto ao dilema "acordo anti-povo, isto é, memorando, ou Grexit" o secretário-geral do CC do KKE enfatizou que "O 3º memorando também significará a bancarrota real do povo. Naturalmente de um modo algo mais organizado. Teremos bárbaras medidas anti-povo. Com o Grexit assistiremos a uma rápida pauperização, a bancarrota do povo juntamente com a bancarrota do estado, sem uma saída, ainda aprisionados dentro das muralhas da UE, no interior do velho caminho do desenvolvimento capitalista.

Eis porque todos os outros partidos arcam com responsabilidades históricas, especialmente o SYRIZA que hoje é governo e no qual o povo depositou confiança.

Um caminho real de saída da crise e desenvolvimento favorável aos interesses do povo e dos trabalhadores exige a organização popular, sua plena preparação, conversas honestas, programas e posições claras de modo a que o povo decida-se a tomar o poder e organizar a economia e a nova sociedade, fora e longe das uniões imperialistas, com planeamento central, com propriedade social da riqueza produzida pela classe trabalhadora e o nosso povo.

Todas as outras opções são experimentos falhados em gestão social-democrata, por governos alegadamente de esquerda que gerem o sistema, dentro da estrutura do capitalismo e que depois de espalharem esperanças efémeras e falsas expectativas levam o povo a grandes desilusões, o movimento dos trabalhadores a recuos e fortalecem tendências conservadoras e mesmo extremamente reaccionárias entre as forças populares.

Quanto ao entrelaçamento da "questão grega" nas contradições inter-imperialistas, Koutsoumpas observou: "Vocês frequentemente apresentam o "cruel" Schauble como o único oponente, Schauble que representa uma importante secção do capital alemão, e [dizem] de tempos em tempos que os amigos da Grécia são os EUA e o FMI, e agora a França, centrando-se na questão da reestruturação da dívida do Estado.

Nem o capital estado-unidense, francês ou alemão são amigos do povo. Todos eles pedem a carnificina dos direitos e do rendimento do povo. A competição entre eles está a ser conduzida no terreno da crise capitalista e da profunda desigualdades que permeia o núcleo central da Eurozona. Os EUA e a Alemanha estão a competir pela hegemonia na Europa. O FMI, França e Alemanha sobre o futuro da eurozona. Secções do capital interno, industriais, banqueiros e grupos de navegação estão envolvidos nesta confrontação.

Enquanto estivermos envolvidos nesta perigosa teia de contradições todas as alternativas serão um pesadelo para o povo: ou acordo/memorando anti-povo ou um incumprimento do Estado ou um Grexit ou mesmo uma possível guerra mais ampla na região".

O secretário-geral sublinhou o seguinte quanto a futuros desenvolvimentos:

"Apesar do compromisso temporário a tendência para a expulsão de países permanece forte. Isto não se refere apenas à Grécia, mas a todos os países endividados.

O povo não deve escolher entre a sua bancarrota sob o Euro ou uma bancarrota sob o Dracma.

Uma solução decisiva em favor do povo exige uma verdadeira ruptura que nada tem a ver com a falsa ruptura que pedem certas forças dentro do SYRIZA quando defendem a saída da Grécia unicamente da Eurozona.

Aqueles que afirmam – incluindo forças do SYRIZA, bem como outras forças nacionalistas, reaccionárias de outro ponto de vista – que a saída da Grécia da Eurozxona, com uma divisa depreciada, dará ímpeto à competitividade e crescimento e terá consequências positivas para o povo estão a enganá-lo deliberadamente.

A perspectiva da Grécia como um país capitalista com uma divisa nacional não constitui qualquer ruptura em favor do povo. Aquelas forças políticas que promovem este objectivo como solução ou como um objectivo intermediário para mudanças radicais (tais como a "Plataforma de Esquerda do SYRIZA, ANTARSYA, bem como outra ultra-direita, forças fascistas na Europa) estão realmente a jogar o jogo de certas secções do capital.

Assim escolheremos se iremos à bancarrota sob o Euro ou o Dracma, sob uma desvalorização interna ou externa.

Por esta razão não escolheremos entre um memorando e um Grexit.

Porque há uma solução alternativa se o povo lutar por uma ruptura com a UE, com o capital e seu poder.

Por exemplo: podemos abolir os compromissos [ditados pela] UE que provocaram estagnação na produção interna, desde o açúcar e a carne até a construção naval e em muitos outros sectores.

Podemos utilizar as contradições entre os centros imperialistas e alcançar acordos internacionais de benefício mútuo para a Grécia sob o poder popular, o qual estará desligado da UE e da NATO.

Podemos preparar o caminho para a satisfação das necessidades do povo se efectuarmos a socialização dos monopólios, dos meios de produção, com planeamento científico da economia à escala nacional".

Finalmente, Koutsoumpas observou que o KKE conclamou o povo trabalhador a organizar o seu contra-ataque nas ruas e locais de trabalho contra as novas medidas destrutivas.

Na tarde do mesmo dia (sexta-feira, 10 de Julho) o PAME organizou comícios de massas em Atenas e outras grandes cidades por todo o país contra o 3º memorando ("de esquerda") de medidas anti-povo. As manifestações foram apoiadas por sindicatos, Comités Populares, Associações e Grupos de Mulheres, organizações de massa e Comités de Luta de auto-empregados e artesãos, bem como estudantes, isto é, por aqueles que estão a ser atacados pelas medidas da coligação governamental. Todos eles declararam: "Basta! Há outro caminho a favor do povo".

Koutsoumpas, que participou do comício do PAME em Atenas, declarou: "Não podemos desperdiçar mais tempo. O povo trabalhador deve organizar sua luta, promover suas exigências e organizar a aliança do povo".
11/Julho/2015
A versão em inglês encontra-se em http://inter.kke.gr/en/articles/No-to-the-new-leftwing-memorandum/ 

Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ . 

RACIONAIS MC`S

 "Tem que acreditar. 
Desde cedo a mãe da gente fala assim: 
'Filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.' 
Aí passado alguns anos eu pensei: 
Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? Duas vezes melhor como ? 
Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez. 
E sempre foi assim. 
Você vai escolher o que tiver mais perto de você, 
O que tiver dentro da sua realidade. 
Você vai ser duas vezes melhor como? 
Quem inventou isso aí? 
Quem foi o pilantra que inventou isso aí ? 
Acorda pra vida rapaz" 
É necessário sempre acreditar que o sonho é possível, 
Que o céu é o limite e você truta é imbatível. 
Que o tempo ruim vai passar é só uma fase, 
E o sofrimento alimenta mais a sua coragem. 
Que a sua família precisa de você 
Lado a lado se ganhar pra te apoiar se perder. 
Falo do amor entre homem, filho e mulher, 
A única verdade universal que mantém a fé. 
Olhe as crianças que é o futuro e a esperança, 
Que ainda não conhecem, não sente o que é ódio e ganância. 
Eu vejo o rico que teme perder a fortuna 
Enquanto o mano desempregado, viciado se afunda 
Falo do enfermo irmão, falo do são, intão 
Falo da rua que pra esse louco mundão 
Que o caminho da cura pode ser a doença 
Que o caminho do perdão as vezes é a sentença 
Desavença, treta e falsa união 
A ambição como um véu que cega os irmão 
Que nem um carro guiado na estrada da vida 
Sem farol no deserto da trevas perdida 
Eu fui orgia, ego louco, mas hoje ando sóbrio 
Guardo o revólver quando você me fala em ódio 
Eu vejo o corpo, a mente, a alma, espírito 
Ouço o refém e o que diz la no ponto lírico 
Falo do cérebro e do coração 
Vejo egoísmo preconceito de irmão pra irmão 
A vida não é o problema é batalha desafio 
Cada obstáculo é uma lição eu anuncio 
É isso ai você não pode parar 
Esperar o tempo ruim vir te abraçar 
Acreditar que sonhar sempre é preciso 
É o que mantém os irmãos vivos 
Várias famílias, vários barracos, 
Uma mina grávida 
E o mano ta la trancafiado 
Ele sonha na direta com a liberdade 
Ele sonha em um dia voltar pra rua longe da maldade 
Na cidade grande é assim 
Você espera tempo bom e o que vem é só tempo ruim 
No esporte no boxe ou no futebol alguém 
Sonhando com uma medalha o seu lugar ao sol porém 
Fazer o que se o maluco não estudou 
500 anos de brasil e o brasil aqui nada mudou 
"desesperô aí, cena do louco, 
Invadiu o mercado farinhado armado e mais um pouco" 
Isso é reflexo da nossa atualidade 
Esse é o espelho derradeiro da realidade 
Não é areia, conversa, chaveco 
Porque o sonho de vários na quebrada é abrir um boteco 
Ser empresário não dá, estudar nem pensar 
Tem que trampar ou ripar pros irmãos sustentar 
Ser criminoso aqui é bem mais prático 
Rápido, sádico, ou simplesmente esquema tático 
Será extinto ou consciência 
Viver entre o sonho e a merda da sobrevivência 
"o aprendizado foi duro e mesmo diante desse 
Revés não parei de sonhar fui persistente 
Porque o fraco não alcança a meta 
Através do rap corri atrás do preju 
E pude realizar meu sonho 
Por isso que eu afro-x nunca deixo de sonhar" 
Conheci o paraíso e eu conheço o inferno 
Vi jesus de calça bege e o diabo vestido de terno 
Mundo moderno, as pessoas não se falam 
Ao contrário, se calam, se pisam, se traem, se matam 
Embaralho as cartas da inveja e da traição 
Copa, ouro e uma espada na mão 
O que é bom é pra si e o que sobra é do outro 
Que nem o sol que aquece, mas também apodrece o esgoto 
É muito louco olhar as pessoas 
A atitude do mal influencia a minoria boa 
Morrer a toa que mais, matar a toa que mais 
Ser presa a toa , sonhando com uma fita boa 
A vida voa e o futuro pega 
Quem se firmo falo 
Quem não ganho o jogo entrega 
Mais um queda em 15 milhões 
Na mais rica metrópole suas varias contradições 
É incontável, inaceitável, implacável, inevitável 
Ver o lado miserável se sujeitando com migalhas, favores 
Se esquivando entre noite de medo e horrores 
Qual é a fita, a treta, a cena ? 
A gente reza foge continua sempre os mesmo problemas 
Mulher e dinheiro tá sempre envolvido 
Vaidade, ambição, munição pra criar inimigo 
Desde o povo antigo foi sempre assim 
Quem não se lembra que abel foi morto por caim 
Enfim, quero vencer sem pilantrar com ninguém 
Quero dinheiro sem pisar na cabeça de alguém 
O certo é certo na guerra ou na paz 
Se for um sonho não me acorde nunca mais 
Roleta russa quanto custa engatilhar 
Eu pago o dobro pra você em mim acreditar 
"é isso ai você não pode parar 
Esperar o tempo ruim vir te abraçar 
Acreditar que sonhar sempre é preciso 
É o que mantém os irmãos vivos" 
Geralmente quando os problemas aparecem 
A gente está desprevenido né não 
Errado 
É você que perdeu o controle da situação 
Perdeu a capacidade de controlar os desafios 
Principalmente quando a gente foge da lições 
Que a vida coloca na nossa frente 
Você se acha sempre incapaz de resolver 
Se acovarda morô 
O pensamento é a força criadora 
O amanha é ilusório 
Porque ainda não existe 
O hoje é real 
É a realidade que você pode interferir 
As oportunidades de mudança 
Ta no presente 
Não espere o futuro mudar sua vida 
Porque o futuro será a conseqüência do presente 
Parasita hoje 
Um coitado amanha 
Corrida hoje 
Vitória amanha 
Nunca esqueça disso.